RIO - Casas, currais e até escolas abandonadas na localidade de Serra, em Laje do Muriaé, no Noroeste do estado, evidenciam o que o Censo 2010 constatou: a população da cidade foi a que mais encolheu no estado desde 2000 - queda provocada principalmente pelo êxodo das áreas rurais. Laje do Muriaé tinha 7.487 moradores no ano passado, número 5,35% menor do que em 2000. No período, a população rural caiu 19%.
O processo de esvaziamento do campo, porém, é mais antigo. As 1.850 pessoas que residiam em domicílios rurais em 2010 correspondem a cerca de 51% dos 3.660 que moravam nesses mesmos locais em 1991, segundo o primeiro Censo realizado pelo IBGE. As causas do êxodo que a cidade vem sofrendo estão na ponta da língua dos produtores rurais:
- Nós temos estradas em péssimas condições. Quando chove, a gente chega a esperar até quatro dias de sol para poder sair. Produzo leite e já cheguei a perder um tanque com 2.500 litros por causa disso - conta o engenheiro agrônomo Lino Barbosa de Castro, de 80 anos, produtor no município desde 1953.
Adilson Novaes, o maior piscicultor da região, vizinho de seu Lino, vai fechar uma de suas maiores pisciculturas, que tinha 33 tanques e rendia R$ 10 mil por mês. Hoje, sem mão de obra e com apenas cinco tanques em funcionamento, o negócio dá R$ 2 mil de prejuízo mensal.
- Onde antes eu tinha seis funcionários, hoje só tenho um, que também quer ir embora. Não consigo mão de obra porque todo mundo quer ir para a cidade ou para outros municípios.
A Secretaria estadual de Agricultura tem desde 2009 o programa Estradas da Produção para a recuperação das estradas vicinais, que ligam as propriedades rurais às principais vias dos municípios. A coordenadora do programa, Stella Romanos, conta que a tragédia causada pelas chuvas na Região Serrana atrasou as atividades neste ano, pois todas as equipes tiveram que ser deslocadas para as cidades atingidas. Na semana que vem, deve começar o trabalho em Laje do Muriaé.
Na estrada em que Adilson e Lino moram, os buracos só não são maiores, segundo os moradores, porque os próprios produtores pagam máquinas para fazer a manutenção. No local, duas escolas abandonadas e dezenas de casas sem moradores comprovam a dificuldade do piscicultor em conseguir mão de obra. Os que vão para a parte urbana de Laje do Muriaé, porém, não encontram muitas oportunidades. Marlene Pinto, cujos quatro filhos se mudaram da cidade, resume a situação:
- Aqui, ou você consegue um emprego na prefeitura, ou abre seu próprio negócio, ou vai embora.
Marlene conta que a primeira filha saiu de casa com 15 anos para trabalhar em Itaperuna, o maior município vizinho.
- Eu não tinha dinheiro para ir lá, e ela muitas vezes não tinha o que comer. Eu fazia uma marmita, e dava para o motorista de ônibus levar, mas nem sempre eles se encontravam.
As famílias que viram seus filhos deixarem a cidade ilustram a mais expressiva redução populacional por faixa etária: a população até 19 anos caiu 19,5% nos últimos dez anos. Entre os jovens de 20 a 29 anos, a queda chegou a 10,1%, segundo o Censo. Na outra ponta da pirâmide etária, a população de 50 a 64 anos subiu 24,1%. E os maiores de 65 anos, 13,5%.
O prefeito da cidade, José Eliezer Tostes Pinto nega que a população tenha diminuído. Para ele, os recenseadores consideraram abandonadas casas cujos moradores não estavam na hora da visita:
- Não há 600 casas abandonadas nem 200 de ocupação ocasional. Se considerarmos que cada uma dessas casas tem ao menos um morador, são 800 a mais, o que significa que a população cresceu, não caiu. Dá para ver que a cidade é pujante, que só vem crescendo.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/05/14/laje-do-muriae-cidade-que-mais-encolheu-no-estado-do-rio-924466047.asp#ixzz1NgciKVvW
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.
O processo de esvaziamento do campo, porém, é mais antigo. As 1.850 pessoas que residiam em domicílios rurais em 2010 correspondem a cerca de 51% dos 3.660 que moravam nesses mesmos locais em 1991, segundo o primeiro Censo realizado pelo IBGE. As causas do êxodo que a cidade vem sofrendo estão na ponta da língua dos produtores rurais:
- Nós temos estradas em péssimas condições. Quando chove, a gente chega a esperar até quatro dias de sol para poder sair. Produzo leite e já cheguei a perder um tanque com 2.500 litros por causa disso - conta o engenheiro agrônomo Lino Barbosa de Castro, de 80 anos, produtor no município desde 1953.
Adilson Novaes, o maior piscicultor da região, vizinho de seu Lino, vai fechar uma de suas maiores pisciculturas, que tinha 33 tanques e rendia R$ 10 mil por mês. Hoje, sem mão de obra e com apenas cinco tanques em funcionamento, o negócio dá R$ 2 mil de prejuízo mensal.
- Onde antes eu tinha seis funcionários, hoje só tenho um, que também quer ir embora. Não consigo mão de obra porque todo mundo quer ir para a cidade ou para outros municípios.
A Secretaria estadual de Agricultura tem desde 2009 o programa Estradas da Produção para a recuperação das estradas vicinais, que ligam as propriedades rurais às principais vias dos municípios. A coordenadora do programa, Stella Romanos, conta que a tragédia causada pelas chuvas na Região Serrana atrasou as atividades neste ano, pois todas as equipes tiveram que ser deslocadas para as cidades atingidas. Na semana que vem, deve começar o trabalho em Laje do Muriaé.
Na estrada em que Adilson e Lino moram, os buracos só não são maiores, segundo os moradores, porque os próprios produtores pagam máquinas para fazer a manutenção. No local, duas escolas abandonadas e dezenas de casas sem moradores comprovam a dificuldade do piscicultor em conseguir mão de obra. Os que vão para a parte urbana de Laje do Muriaé, porém, não encontram muitas oportunidades. Marlene Pinto, cujos quatro filhos se mudaram da cidade, resume a situação:
- Aqui, ou você consegue um emprego na prefeitura, ou abre seu próprio negócio, ou vai embora.
Marlene conta que a primeira filha saiu de casa com 15 anos para trabalhar em Itaperuna, o maior município vizinho.
- Eu não tinha dinheiro para ir lá, e ela muitas vezes não tinha o que comer. Eu fazia uma marmita, e dava para o motorista de ônibus levar, mas nem sempre eles se encontravam.
As famílias que viram seus filhos deixarem a cidade ilustram a mais expressiva redução populacional por faixa etária: a população até 19 anos caiu 19,5% nos últimos dez anos. Entre os jovens de 20 a 29 anos, a queda chegou a 10,1%, segundo o Censo. Na outra ponta da pirâmide etária, a população de 50 a 64 anos subiu 24,1%. E os maiores de 65 anos, 13,5%.
O prefeito da cidade, José Eliezer Tostes Pinto nega que a população tenha diminuído. Para ele, os recenseadores consideraram abandonadas casas cujos moradores não estavam na hora da visita:
- Não há 600 casas abandonadas nem 200 de ocupação ocasional. Se considerarmos que cada uma dessas casas tem ao menos um morador, são 800 a mais, o que significa que a população cresceu, não caiu. Dá para ver que a cidade é pujante, que só vem crescendo.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/05/14/laje-do-muriae-cidade-que-mais-encolheu-no-estado-do-rio-924466047.asp#ixzz1NgciKVvW
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BOM até aí tudo bem, tudo no mundo muda, impérios são vencidos, o mundo mulçumano se rebelando contra seus líderes... Agora aqui nesta cidadezinha são 24anos de opressão, desmoralização, corrupção, abandono, descaso com funcionalismo público, queima de remédios vencidos que por mim foi denunciado junto à POLÍCIA FEDERAL, enfim tanta sujeira que esta imersa minha pequenina cidade que tenho vergonha.
ResponderExcluirMais uma o bandido, o canalha, o inescrupuloso condutor do poder executivo de nossa cidade diz que os recensseadores estão errados,ooooooooooooooooooooooo canalha acorda será que só laje que deu problema no rescensseamento? e mais aindaaaa ACORDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA população do bem ,de laje do muriaé QUEBREM os grilhoes que estão em vcs e se libertem de vez deste mal!!!!!!!!